Por que não consigo um emprego?

Nos últimos tempos a palavra mais ouvida por quem está procurando emprego é CRISE. Jornal, revista, TV, LinkedIn, qualquer lugar! 
Você começa a ficar desesperado. Se não está procurando emprego, acha que vai ser demitido. E se está, acha que nunca vai ser contratado.

dez meses atrás eu voltava de um intercâmbio + viagem pelos EUA. Minha intenção era melhorar o inglês e ter uma experiência diferente. Além disso, não estava nada satisfeita com meu antigo trabalho e achava que seria fácil encontrar outro quando voltar.
Quando cheguei aqui, apesar de poder contar com um inglês avançado, a situação das vagas estava muito diferente da última vez que eu havia procurado emprego. Em 2013 a situação estava bem favorável, chovia vaga de QA na Apinfo, e eu não demorei mais que duas semanas pra encontrar um emprego novo.
Em 2015 a situação que encontrei já era outra:

  • Não haviam mais tantas vagas na Apinfo, e no Linkedin (que estava dominando o mercado) também não;
  • As poucas vagas que apareciam exigiam muito e pagavam a mesma coisa que outras vagas que, a tempos atrás, não exigiam quase nada;
  • 90% das vagas exigiam inglês avançado e automação no currículo.

Eu, que tinha largado tudo pra fazer um intercâmbio e melhorar meu currículo, achava um absurdo aceitar a primeira vaga que aparecesse. Afinal eu tinha investido tempo e dinheiro em um curso caro e não queria voltar a trabalhar em um lugar que não valorizasse isso.
Você não tem que ser louco pra trabalhar aqui. Nós vamos te treinar.
Coloquei na minha cabeça que só ia aceitar uma vaga que seguisse minhas três regrinhas de ouro:
  • Não fosse uma consultoria: passei anos pulando de cliente em cliente dentro das consultorias, e odiava isso. É muito difícil conseguir reconhecimento do seu chefe (da consultoria) se você está longe dele o ano todo, e o cliente raramente vai se envolver na sua avaliação no final do ano. Além disso, sempre que eu começava a gostar de um projeto e me sentia parte dele.. eu era transferida pra outro cliente. A incerteza de saber se você vai ter emprego ou pra qual lugar você vai ser transferido a cada término de projeto é angustiante;
  • Não fosse nada além de CLT FULL: Cooperado, PJ, CLT Flex e outras opções de contratação nem pensar;
  • Não fosse em Alphaville: Essa vale para qualquer lugar que fosse longe da minha casa. O estresse causado pelas horas que perdi no trânsito indo trabalhar tão longe não valem um salário mais alto.

E pra conseguir uma boa vaga eu teria que investir no meu currículo, então:

  • Tentei manter meu inglês o mais afinado possível, mesmo em casa procurava ler, assistir seriados em inglês e treinar o que falar nas entrevistas;
  • Me matriculei em uma pós-graduação. Fiquei quase 10 anos após o término da faculdade para fazer uma pós, nessa hora senti que ela era mais que necessária;
  • Comecei a estudar automação. Nunca tinha trabalhado com isso antes mas 99% das vagas boas exigiam e se eu não soubesse o mínimo de automação eu iria morrer nos empregos chatos que eu já havia passado antes.

Minhas exigências não eram muitas, mas, depois de dois meses procurando emprego e ouvindo a palavra CRISE em todo lugar, cedi para uma empresa que não era um sonho, mas iria pagar minhas contas.
Lá vou eu pra uma consultoria, pelo menos era perto de casa e pelo menos era CLT FULL. Pra minha surpresa, eu amei o cliente! Mas, apenas dois meses depois, a consultoria mostra porque ela não é uma boa opção pra mim: o projeto do cliente acaba, a consultoria não tem outro cliente pra me colocar e lá estou eu de novo em casa procurando emprego. =/

F***-se isso, estou "cozinhando" metanfetamina
Voltei pra casa mais determinada ainda a seguir minhas 3 regrinhas! Não queria correr o risco de passar por isso de novo.
Passados três meses ouvindo a palavra CRISE, fazendo milhões de entrevistas por Skype, presenciais, testes e provas psicotécnicas, mais uma vez consegui uma vaga de emprego, mas que dessa vez cumpria as três regras. E estou nela até agora, ufa!

Por que diabos estou contando essa história toda?

Nos últimos dias estive analisando currículos para umas vagas de QA na minha empresa e como o Wagner Marcondes já disse no post "Contratar...": contratar é sempre um stress... e é mesmo! Como eu estava procurando emprego a pouco tempo atrás, sei como são as aflições de quem está procurando emprego, e queria compartilhar algumas dicas e impressões que tive durante esse tempo. Tanto como desempregada à procura, quanto contratante.
Então, se você está procurando emprego e está injuriado com a vida porque nenhuma empresa te quer, leia os tópicos a seguir e veja se você não está fazendo algo de errado.

Atitude
Pra mim essa é a primeira e principal coisa que você deve mudar. Durante esse tempo todo participei de um grupo ativo no Telegram que divulga vagas de QA, e algumas atitudes me cansam e com certeza afastam qualquer empregador:

  • Reclamar sem parar o dia todo e de tudo: gente negativa afasta todo mundo em volta, inclusive vagas. Pare de falar mal do presidente, do vice, do golpe, do preço da gasolina e do preço do feijão o tempo todo, ninguém quer ter um chato por perto;
  • Falar mal de pessoas que você já trabalhou: o mundo dá voltas e eu sempre reencontro alguém que já trabalhei ou é amigo dessa pessoa, fica a dica;
  • Pedir ajuda e vagas todos os dias, e quando arranjar emprego, não ajudar mais ninguém;
  • Reclamar que o mercado mudou e que não querer automatizar: essa é bem importante. O mercado mudou sim, automação virou um pré-requisito obrigatório no currículo. Se você quer continuar na área de testes você tem que se adaptar, reclamar no Facebook/LinkedIn não vai mudar nada. Aceite a mudança e estude o que o mercado está pedindo, se adapte, não fique parado. Se você não gosta de programar/automatizar (sei que este conselho irá machucar seu coração) talvez a área de QA não seja mais pra você e não tem problema nenhum nisso, mas pense: se você gosta mais de análise do que programação, porque não considerar trabalhar com documentação?

Currículo
Sei que currículo parece uma coisa ultrapassada (e talvez seja)! Com o LinkedIn, Workable, Vagas e outras ferramentas web, parece ter ficado sem sentido fazer aquele documento chato e entediante. Mas a realidade é que, a maioria dos lugares ainda quer receber esse documento chato e entediante, então pare de reclamar e faça um currículo decente. Se você não sabe como elaborar um currículo, procure no Google "como elaborar um currículo" e use um modelo profissional. Sei que parece óbvio mas vocês não acreditam na quantidade de currículos que recebo que tem problemas com:

  • Formatação;
  • Erros ortográficos: MILHÕÕÕÕÕÕESSSS, pessoal atenção nisso! Pega muito, muito mal!!! Erros todo mundo comete (devo cometer vários aqui nos meus posts), mas pensem que aquele documento te representa, é a primeira impressão que o entrevistador terá de você. Quando o currículos está cheio de erros a única coisa que me passa pela cabeça é que a pessoa é tão desleixada que ela não pôde gastar dois minutos da vida pra passar um corretor ortográfico no currículo. E se mesmo depois do corretor você tiver dúvidas, peça pra um, dois, três ou quantos amigos forem possíveis revisarem pra você.
  • Foto: se você divulga LinkedIn, Github ou qualquer outro site que tenha foto uma de perfil, tenha cuidado de não colocar aquela foto na praia de biquíni ou na academia sem camisa (BIRLL!), isso não é nada profissional! Vamos deixar isso pro facebook, instagram, snapchat e outras redes sociais inúteis...
  • Carta de apresentação: se o site da empresa tem um campo que chama carta de apresentação ele não está lá a toa, eles realmente querem que você elabore uma. Não quero ser óbvia, mas a carta de apresentação é isso mesmo que você leu, uma carta para você se apresentar. Fale RESUMIDAMENTE das suas competências e da sua experiência. Explique porque você se interessou pela vaga, isso mostra pra empresa que você realmente tem interesse em trabalhar ali e procurou se informar a respeito da vaga e da empresa, e não está copiando e colando o mesmo discurso para todas.
  • Objetivo: Se você está se candidatando a uma vaga de "Analista de Testes Sênior" e coloca no objetivo "Analista de Sistemas/Desenvolvedor/Suporte Técnico" não cola. E também não coloque "Qualquer lugar".
  • Datas: Coloque data de nascimento, data de início e conclusão de todos os seus cursos e empregos anteriores.
  • Endereço: eu recomendo não colocar o endereço completo, pode ser que o seu currículo vá parar em outros lugares e ninguém quer ter seu próprio endereço circulando por aí. O nome do bairro já basta, principalmente porque a empresa pode ter interesse em saber quanto tempo você vai demorar pra chegar até o trabalho.
  • Experiências: Se você trabalhou aos 15 anos como caixa da locadora do seu bairro, talvez seja uma experiência desnecessária pra colocar no currículo, ainda mais se ela não tiver relação nenhuma com a vaga que você está se candidatando.
  • Quantidade de informações: Acho que não existe uma regra pra tamanho de currículo, mas se tiver mais de 3 folhas eu durmo. Sintetize já!

Entrevista
Muitas empresas que me candidatei começaram a adotar o Skype/Hangout como parte inicial do processo. Acho isso fantástico, facilita a vida de todos, principalmente do entrevistado que tem que ficar bancando ônibus, metrô, gasolina, estacionamento, Uber, Táxi etc. pra ir até o local da entrevista.
O problema é que algumas pessoas veem a entrevista no Skype como algo "informal". Pois é, mas a entrevista que você faz na sua casa é igual a que você faz na empresa, entendeu? Então, as regras pra entrevista presencial valem pra entrevista pelo Skype também:

  • Não atrase!! Você não tem a velha desculpa do trânsito ruim (que também não cola) pra atrasar em uma entrevista que você está fazendo da sua casa! Teste a sua conexão, câmera e microfone com antecedência.
  • Use roupas "apresentáveis": esteja com um visual legal. Se é costume da empresa usar roupa social, use social, se não for, não apareça todo esculhambado. Entrevistar uma pessoa de pijama, roupa de academia ou sem camisa é no mínimo estranho!
  • Vá para um ambiente organizado e calmo: Não deixe o entrevistador ver suas meias sujas no chão ou a bagunça do seu armário, procure um lugar tranquilo e visualmente agradável. Outra coisa importante, se você ainda está trabalhando, não faça a entrevista dentro da sua empresa atual, se não tiver como fazer de casa, reserve um lugar apropriado pra isso. Se você faz entrevistas no meio do seu expediente no seu trabalho atual, quem garante que você não vai fazer no novo?
  • Inglês: Se você colocou no seu currículo inglês avançado ou fluente, é bem possível que role uma entrevista em inglês. Pela minha experiência, a maioria pergunta coisas do seu cotidiano como o que você gosta de fazer no tempo livre. Treine em casa. Se você não consegue trocar ideia em inglês fuja do mico, diga ao entrevistador que você ainda não tem um nível de conversação bom.
  • Não seja mala! Muito subjetiva essa dica, mas o que eu quero dizer é: não interrompa o entrevistador quando ele estiver falando, não seja monossilábico, não fale que seu hobbie preferido é dormir, não use muitas gírias (nem todo mundo encara isso bem) e leve o bom senso sempre com você!

E boa sorte no seu novo emprego!

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